31/07/2012

Rio e RSI

O entaipador da Invicta fez uso de um novo mecanismo posto a funcionar pelo governo para obter trabalho ainda mais barato e precário, num claro desnível de posição de forças. As pessoas que recebiam a miséria do RSI receberam uma proposta para ganhar uns incríveis 500 euros, e segundo o despovoador da cidade do Porto, quem recusou o trabalho deveria deixar de receber RSI. O amante dos carros antigos e outras patuscadas surge assim como um defensor do esforço e da seriedade, esquecendo-se que paga uma miséria que, após descontos, custos das deslocações (veja-se o preço dos transportes público), tempo despendido que poderia ser empregue noutros afazeres e outros inconvenientes, acaba por se tornar pouco mais do que o valor recebido pelo RSI, já de si extremamente baixo. No entanto, nós sabemos bem, o que incomoda o Haussmann do Porto é não ser instaurada a escravatura, sendo que tal nem precisa de ser feito de forma legal, bastando que se aproveitam da miséria alheia e instrumentaliza a opinião pública para tal. Tudo isto, claro, a bem da nação! 

16/06/2012

Da moção de censura do PCP

Não me vou alongar sobre a oportunidade desta moção, a qual, apesar de me parecer que tem razão de existir dado o seguimento das políticas do actual governo, falha completamente no que diz respeito à possibilidade de ter qualquer seguimento. Como tal, parecem-me haver dois pontos-chave, um em seguimento e um novo que parece surgir. 
Em relação ao primeiro, trata-se da continuidade da via nacionalista do PC, confundido Alemanha com Merkel, esquecendo assim que na Alemanha também existem trabalhadores e que em Portugal também existem capitalistas. Esquecendo, acima de tudo, que não se trata de um confronto entre nações, mas de um confronto contra o capital financeiro internacional, em relação ao qual um país isolado nada pode fazer, e que qualquer via nacionalista nem chega a ser uma luta efectiva mas uma fuga em relação à mesma, optando por uma visão nacionalista e desenvolvimentista que aproxima o PC de políticas sociais-democratas, e que esquece por completo que apenas uma luta internacional poderia deter o capital. Trata-se de uma visão partilhada por um grande sector da esquerda, inclusive do mais recente e supostamente radical MAS.
O segundo ponto, prende-se com o que me parece mais interessante nesta moção e que talvez tenha sido a real razão da mesma. Estou a falar da expectativa em relação à posição do PS, que parece inclinar-se para a abstenção, expectativa essa que pode ser lida de duas formas principais. Ou, no caso de pensarem que o PS poderia votar favoravelmente, tentarem isolar o governo, ou, em caso de abstenção ou de voto contrário, colarem o PS ao governo e tentarem capitalizar alguns sectores do PS mais para a esquerda, acabando por tentar diminuir a base de apoio de PS-PSD-CDS. No entanto, o principal a reter parece-me ser o facto de o PCP dar uma imagem de preocupação política em relação ao PS, dando assim um sinal de proximidade maior do que eu pensaria até então.

15/06/2012

"Radicalização" do PCP

Apresentar, no parlamento burguês, uma qualquer moção de censura sabendo de antemão o resultado desfavorável. Como admiro estas vanguardas!

11/06/2012

Do resgate espanhol II

O primeiro-ministro espanhol disse que não se trata de um resgate, dado que a política económica do governo não se viu sujeita ao crivo de uma qualquer troika. No entanto, afirma ao mesmo tempo que, caso não tivesse colocado em marcha duras políticas de austeridade, em tudo semelhantes às que seriam seguidas no caso de um verdadeiro resgate na concepção de Rajoy, então a Espanha necessitaria desse mesmo resgate. Isto é, e deixando de perder tempo com mistificações, a verdade é que se trata não só de um resgate, mas de um de novo tipo,  em que o governo em funções não necessita de tutela internacional dado que acredita piamente que as políticas que seriam seguidas no caso de uma intervenção da troika seriam as correctas. Não quero dizer que se trata de colaboracionismo, mas apresenta grandes parecenças, com a agravante de uma crença inabalável de que se trata da opção certa. Em Portugal, a diferença não é muita, ainda que o facto de supostamente termos tido eleições livres e em que cada um votou bem informado e segundo a sua consciência - esquecendo o alto nível de abstenção-, permite a Passos apresentar uma certa legitimidade, ainda que a instrumentalize a seu belo prazer.